• Histórias do Cabula

    Luciana Martins

  • Reunião na Mata Escura sobre o Projeto TBC

    *Olá comunidade de Mata Escura* 
     
    Segue convite para momento de informação no *dia 25/05/2019 (sábado) às 9hrs da manhã numa das salas do Colégio Estadual Professora Marileine da Silva* antigo *Marcia* *Meccia*
     
    Convite para *TODOS *, os representantes de coletivos do bairro, pessoas integrantes de coletivos diversos e comunidade em geral para está conosco conhecendo e participando da formação sobre Projeto Turismo de Base Comunitária..
     
    *O que é o Projeto Turismo de Base Comunitária no Cabula e entorno – TBC Cabula?*
     
    Projeto elaborado e executado por equipe multi e interdisciplinar, desde 2010. Articulando pesquisa, ensino e extensão, com objetivo de construir com as comunidades do Antigo Quilombo Cabula, que compreende 17 bairros circunvizinhos à Universidade do Estado da Bahia (UNEB), caminhos alternativos para o desenvolvimento local sustentável, a partir do turismo de base comunitária e da ecossocioeconomia, mediante metodologia participativa sustentada na pesquisa-ação, na praxiologia e em pesquisa de desenvolvimento (DBR).
     
    *O objetivo dessa eunião é:*
     
    Mobilizar as comunidades dos bairros – Arenoso, Arraial do Retiro, Beiru, Cabula, Doron, Engomadeira, Estrada das Barreiras, Fazenda Grande do Retiro, Narandiba, Novo Horizonte, Pernambués, Resgate, Saboeiro, Saramandaia, São Gonçalo do Retiro e Sussuarana, assim como da Mata Escura, para apoio das redes sociais cooperadas e colaborativas já existentes no bairro de *Mata Escura*, possibilitando a visitação e hospitalidade no mesmo.
     
    Contamos com a sua presença.
  • Cultarte

    Ana Paula Silva

07 de Fevereiro

 

PONTO DOS MACACOS E CURVA DA MORTE: CURIOSIDADES DO TANCREDO NEVES, ANTIGO BEIRU

 

Para conhecer a história do bairro Tancredo Neves - antigo Beiru é necessário conhecer as histórias daqueles que moram lá. Maria Felicia Nascimento Alves tem 70 anos, é professora aposentada e nos conta algumas modificações que ocorreu no bairro nesses 60 anos como moradora.

 Iniciamos nossa conversa discutindo sobre a mobilidade urbana do bairro e da cidade, Tia Felicia conta que “O ônibus vinha até o Cabula, 19 BC, de lá pra cá a gente vinha andando. De lá até cá era caminho, estrada de chão, tinha muita mata, muita mangueira, aqui era fazendas”.  Ao longo dos anos algumas modificações foram ocorrendo, “mais tarde vinheram, Dionísio (ex-vereador), Jovenal. O Dionísio fundou a associação de moradores, ai foi que começou vim asfalto, na época de Roberto Santos, a água demorou. Primeiro veio à devastação, pavimentação, foi uma coisa que foi muito devagar”. “Pra começar a construir primeiro veio o pessoal que comprou os lotes, foram dividindo, vendendo os lotezinhos foi que ai começou o desenvolvimento do bairro”.

Imagens: Arquivo pessoal Tia Felicia

 

Ao longo da entrevista Tia Felicia relata sobre a mudança do nome do bairro e afirma que: “O nome era Beiru, aí com o passar do tempo e que teve uma convocação e mudou o nome para Tancredo Neves, um plebiscito, onde todos nós votamos se queria ou não, eu trabalhava com Dionísio, era voluntária, ajudava ele né? Desde quando vim morar aqui eu era funcionária publica, já era do Estado há muitos anos”. “Na época, o Dionísio em comunhão como os associados fizemos uma reunião e foi na época da Morte de Tancredo Neves... Muita gente não queria quem morava lá, no final de linha não aceitava, lá sim, era uma oposição, e quem morava no lado de cá queria, mas quem venceu foi à turma daqui. Foi uma votação e ficamos em maior número. Teve pouca oposição, mas nós vencemos. Por que botar o nome Tancredo Neves, se nem daqui esse homem é? Teve essa polemica toda, mas eu sei que... A maioria achou que deveria que seria um presidente digno”.

Outro ponto curioso do bairro é sobre os nomes das praças e das ruas. Quando indagada do porquê nome “Praça Do Anjo Mal” Tia Felicia responde que: “Histórias que os antepassados passaram e contaram, de forma que o povo acreditava, o mal quer dizer aquele anjo que amedrontava, tipo uma encruzilhada, então botaram anjo mal...O povo ficava pensando que realmente tinha alguma assombração. Disseram também que, bem antes dessa descoberta do bairro tinha muitos macacos,  normal, era sagui, aqui tinha muito cajueiro e tinha muito sagui, então botaram ponto dos macacos. Quem vem pro Tancredo Neves tem que saber onde foi o ponto dos macacos, a curva da morte, anjo mal... Outro caso, porque a curva da morte devido a quantidade de acidentes recebeu esse nome aí.”

“[...] Depois que o Roberto Santos chegou muita coisa melhorou [...] A primeira escola aqui do bairro do Beiru, que depois se transformou no bairro do Tancredo Neves, foi a Escola Edivaldo Fernandes, escola Estadual, a qual eu ajudei a fundação também, fui secretaria dessa época, porque antes eu trabalhava no ICEIA (Instituto Central de Educação Isaías Alves)”. “Um avanço extraordinário, o Beiru-Tancredo Neves [...]. [...] Quando eu vim praqui, principalmente pra desbravar eu pensei: Meu Deus do céu! Eu vim da roça pra morar na roça!” E hoje podemos testemunhar o crescimento, o desenvolvimento que o bairro carrega.

 

Por: Adriele Conceição

Késsia Santiago

 

24 de Janeiro

Carmelita Braga Damasceno, moradora do bairro Jaqueira do Carneiro, entorno do Cabula e bairro periférico de Salvador, Bahia tem 79 anos, e começou a morar no bairro com seus 24 anos de idade em 1964. Ela nos conta um pouco das mudanças e vivencias nesses 55 anos no bairro.

 

“Você sabe por que se chama Jaqueira do Carneiro?”

 

“Porque ali onde é o ponto de ônibus tinha uma jaqueira bem grandona, traziam os carneiros, quando chegava na jaqueira amarrava e davam água do Rio das tripas, a água que dava aos carneiros pegava no rio, que foi se destruindo,  o Rio das Tripas é grande”, (também chamado de Rio Camurujipe), a gente pegava camarão no rio e se juntava pra comer, de todo jeito, óleo e alho, mas tava bom, é o que passa aqui até hoje, mas era limpo, ele era rio. A gente pegava camarão, pitú, peixe, tudo isso pra comer”.

De acordo com o desenrolar da entrevista falando sobre o bairro, temos curiosidades sobre avida dela.

“Eu vim praqui com 24 anos de idade, trouxe um filho pra cá, os outros nasceram aqui, as casas aqui tudo era de taipa ou era barraco de madeira, eu comprei antes uma casa lá em cima (se referindo ao bairro Fazenda Grande do Retiro) com medo da água, porque quando chovia o rio enchia (O Rio Das Tripas), e levava travesseiro, colchão, bojão de gás, levava tudo. Ai ninguém queria comprar casa aqui. O Cabula antes era perto, agora está dividido pela BR, antes era tudo Cabula, só tinha o Cabula, a gente pegava a pista aqui, subia pelas estradinhas e ia pegar manga no Cabula, era tudo fazenda ali, só tinha fazenda, antes não tinha essa BR. O retorno do bonde era na frente do SESI, ai ele chegava com o pessoal, eles saltavam e a gente pegava.”

Imagem: Adriele Conceição

“Quando eu vim praqui onde é o SESI era um matadouro, os bois vinham por aqui correndo, quando o boi conseguia fugir e saia sangrando por aqui a fora e aí ninguém queria ficar por aqui, os bois eram matados ai, a gente passava por dentro do matadouro, era aberto, só tinha cercado no lugar onde matava os bois, a gente comprava fato, 5 e meia se você passasse ali comprava fato fresquinho na hora,  fígado fresquinho, passarinha, miolo...” “Tinha um armazenzinho aqui em baixo que vendia carne de sertão, feijão arroz, a gente comprava na feira, botava num saco de papel e vinha”

Perguntamos a Dona Carmelita, como era a mobilidade na região naquela época, e ela nos disse: “Eu trabalhava na rua (Calçada), pra mim ir pro trabalho eu levava dois sapatos, um na bolsa e outro no pé, quando eu chegava onde é o SESI que antes era o matadouro, eu deixava o sapato e pegava o bonde e ia (deixava no paredão escondido) e na volta eu calçava o outro todo melado de lama, porque era muita lama.”

Finalizamos a nossa conversa com a sensação de nostalgia a respeito da região do entorno do Cabula.

“Lá no arraial do Retiro a gente botava uma radiolinha e ia sambar até umas horas e meus filhos jogavam bola no meio da rua. Antigamente era coisa gostosa, hoje em dia...”.

Por: Adriele Conceição e Késsia Santiago

06 de Dezembro

     Maria Dionísia Martins dos Reis, mais conhecida como Dona Maria, tem 87 anos e afirma que tem “mais nome do que gente”. Mesmo com a idade avançada ainda é muito ativa, é comum vê-la passeando pela Fazenda Grande do Retiro, na região do Cabula, bairro periférico de Salvador – Bahia. Ela confessa que quando foi morar no bairro era tudo muito diferente “quando eu vim morar na Fazenda Grande não tinha carro, não tinha água, não tinha luz, não tinha ônibus, não passava carro aqui, tudo aqui era lama. Quando eu vim morar aqui a casa era de “supapo”. Era chão, não tinha negocio de piso, e era por aqui tudo, as veteranas da época também moravam assim”.

D. Maria compartilha um pouco de sua história conosco. Como muita jovem da época veio para Salvador ainda muito jovem para ter uma vida melhor na capital e foi trabalhar como empregada domestica. “Sou de São Bento de Inhatá, eu vim menina, acabei de me fazer aqui na casa das branca trabalhando”, “ah, minha fia fui criada no cabo da inchada, aprendendo a plantar cana, mandioca, andu, fava, mangalô, feijão de corda, melancia, abobora”. E de acordo com que a história da D. Maria é contada também é revelada a história do bairro da Fazenda Grande do Retiro. O bairro foi crescendo aos poucos, de acordo com que as pessoas foram chegando o lugar foi desenvolvendo e deixando o aspecto rural e absorvendo o aspecto urbano. “Não lembro, mas a aqui não tinha nada, depois q foi chegando o posto, colégio, gente pra estudar, o Dois de julho foi o primeiro de todos, depois foi o colégio Bento Gonçalves, meus meninos estudou com “o veio” porque não tinha escola pra estudar, ele sabia ler e ensinava meus filhos”.

     

Imagem: Adriele Conceição

      “A gente saia daqui e ia pegar ônibus lá em cima no fim de linha e ele largava no São Caetano, quem quisesse pegar ônibus era assim. Tinha um senhor que tinha uma frota de ônibus, pegava aqui e saltava no São Caetano e lá cada qual que pegava o seu destino”, eu saia daqui e ia lavar roupa no Bonfim, nos Mares e no Iapi, tudo andando porque ainda não tinha ônibus aqui pra pegar”, relata D. Maria sobre os problemas no transporte público na região na época. 

     O bairro foi crescendo aos poucos, de acordo com que as pessoas foram chegando o lugar foi desenvolvendo e deixando o aspecto rural e absorvendo o aspecto urbano. “Não lembro, mas a aqui não tinha nada, depois q foi chegando o posto, colégio, gente pra estudar, o Dois de julho foi o primeiro de todos, depois foi o colégio Bento Gonçalves, meus meninos estudou com “o veio” porque não tinha escola pra estudar, ele sabia ler e ensinava meus filhos”.

      D. Maria relata a dificuldade na época, coisas que hoje são consideradas básicas na região, “não tinha o SESI, tinha o modulo de prender gente aí no Retiro, aí desmancharam e fizeram o colégio. A gente comprava pelanca lá, onde era o SESI a gente ia pegar água lá, enchia três tonel... Tinha um minador que pegavam água quando chegava da pedreira”. “Não tinha casa quase nenhuma, só tinha lama, esse lado aí era invasão (fazendo referência ao lado esquerdo do bairro sentido São Caetano), o lado de cá foi comprado (fazendo referência ao lado direito da fazenda Grande). Tinha essa invasão aí embaixo e daqui a pouco a policia vinha e derrubava com tudo”.

     Finalizando a nossa entrevista eu pergunto do que ela sente mais falta do bairro antigamente e ela não hesita em afirmar que é o problema da segurança pública. Perguntei também se mesmo com os problemas do bairro ela gosta da Fazenda Grande e com animação respondeu “gosto muito da Fazenda Grande!”

 

 

Por: Adriele Conceição

 

22 de Novembro

Deni Ribeiro Dos Santos, nascida em 1939 na cidade de Jacobina, interior da Bahia, se mudou para Salvador após se casar em 1962, Desde então morou no bairro da Engomadeira, onde teve seus 10 filhos. Ela conta que perdeu um de seus filhos quando a criança ainda tinha apenas dois anos de idade por conta de uma doença, perdeu também um filho já na fase adulta em 1989, assassinado quando chegava em casa após o trabalho, fardado de policial militar. Os seus outros oito filhos, continuam morando na região do Cabula.

Imagem: Arquivo pessoal da entrevistada

D. Deni mostra entusiasmo em lembrar e dizer que, “Quando eu fui morar ali era tudo estrada de chão, era como um sítio tinham poucas casas, tinha algumas, mas eram bem poucas, minha casa era de taipa, eu já tinha meus três filhos mais velhos”. Ela lembra e conta sua historia com graça, demostrando felicidade em narrar momentos de sua vida no Cabula, ela continua “Tem uma coisa que eu queria te falar, nós não tínhamos água e nem energia, cozinhávamos em fogão de linha, para pegar água tínhamos que pedir a um vizinho que tinha uma cisterna dentro do terreno, a agua era limpinha menina, eles tratavam a água, quando eu tinha acabado de ter filho, e não podia carregar a agua, meus vizinhos iam pegar, eram panelas e mais panelas que traziam para mim, eu só via agua chegar, era tão bom”.

Em meio a nossa conversa que foi bem fluida, ela me contou sobre a dificuldade de criar seus filhos com o salário mínimo que seu marido recebia como mecânico, e pensava em algo para ajudar, daí uma vizinha a incentivou ir ao batalhão do exercito, que se localiza na região, pedir roupas para lavar e passar para os sargentos. Mas como lavar e passar sem energia elétrica? “Pense aí, o ferro funcionava com carvão, por aqui não tinha, eu ia lá no São Gonçalo comprar, as vezes o carvão vinha molhado, era uma dificuldade, mas eu não deixava de lutar, deixava tudo engomadinho, meu marido não gostava, acho que ele tinha vergonha, porque eu colocava a trouxa de pano na cabeça e saia andando, ele passava por mim e fingia que nem era eu” , contou ela se divertindo muito ao lembrar da situação “Meus filhos me ajudavam também, os maiorzinhos, eu dizia, Coloca aí a trocha na cabeça vamos trabalhar, e íamos andando até em casa, foi luta e dificuldade que passamos mas venci”.

Deni deixa muito claro a sua satisfação com o Governador Roberto Santos, tanto pela construção do hospital da região, quanto pela criação dos colégios estaduais, ela explicou que os filhos dela enfrentava uma dificuldade na locomoção para o bairro da Cidade Nova para poder estudar, e depois da construção dos colégios seus filhos mais novos poderiam estudar perto de casa, e foi anulado o custo com transporte. Transporte esse que ainda era o Bonde, “Demorava muito de passar, meu marido tinha uma bicicleta, ele ia e voltava para o trabalho lá na Sete Portas pedalando, e vinha na hora do almoço, ele não levava marmita não, era uma correria, meus meninos para levar para escola, porque uns estudavam a tarde e outros pela manhã, mas quando ele chegava para almoçar, se possível a comida já tinha que esta no prato, ele comia correndo coitado, e voltava para trabalhar na bicicleta”.

D. Deni finaliza nossa conversa dizendo: “Sou satisfeita em morar aqui, e pretendo continuar, o Cabula Mudou, é maravilhoso aqui!”.

 

 

Por: Késsia Santiago

 

 

 

18 de Setembro

Dentre os temas discutidos no VIII ETBCES ocorrido entre os dias 09, 10 e 11 de julho, no Campos I da Universidade do Estado da Bahia (UNEB), destaca-se a entrevista realizada pela Assessoria de Comunicação da UNEB do Professor, Administrador, Mestre e Doutor Carlos Alberto Cioce Sampaio.

Canal TBC