Turismo de Base Comunitária
no Cabula e Entorno

Deni Ribeiro Dos Santos, nascida em 1939 na cidade de Jacobina, interior da Bahia, se mudou para Salvador após se casar em 1962, Desde então morou no bairro da Engomadeira, onde teve seus 10 filhos. Ela conta que perdeu um de seus filhos quando a criança ainda tinha apenas dois anos de idade por conta de uma doença, perdeu também um filho já na fase adulta em 1989, assassinado quando chegava em casa após o trabalho, fardado de policial militar. Os seus outros oito filhos, continuam morando na região do Cabula.

Imagem: Arquivo pessoal da entrevistada

D. Deni mostra entusiasmo em lembrar e dizer que, “Quando eu fui morar ali era tudo estrada de chão, era como um sítio tinham poucas casas, tinha algumas, mas eram bem poucas, minha casa era de taipa, eu já tinha meus três filhos mais velhos”. Ela lembra e conta sua historia com graça, demostrando felicidade em narrar momentos de sua vida no Cabula, ela continua “Tem uma coisa que eu queria te falar, nós não tínhamos água e nem energia, cozinhávamos em fogão de linha, para pegar água tínhamos que pedir a um vizinho que tinha uma cisterna dentro do terreno, a agua era limpinha menina, eles tratavam a água, quando eu tinha acabado de ter filho, e não podia carregar a agua, meus vizinhos iam pegar, eram panelas e mais panelas que traziam para mim, eu só via agua chegar, era tão bom”.

Em meio a nossa conversa que foi bem fluida, ela me contou sobre a dificuldade de criar seus filhos com o salário mínimo que seu marido recebia como mecânico, e pensava em algo para ajudar, daí uma vizinha a incentivou ir ao batalhão do exercito, que se localiza na região, pedir roupas para lavar e passar para os sargentos. Mas como lavar e passar sem energia elétrica? “Pense aí, o ferro funcionava com carvão, por aqui não tinha, eu ia lá no São Gonçalo comprar, as vezes o carvão vinha molhado, era uma dificuldade, mas eu não deixava de lutar, deixava tudo engomadinho, meu marido não gostava, acho que ele tinha vergonha, porque eu colocava a trouxa de pano na cabeça e saia andando, ele passava por mim e fingia que nem era eu” , contou ela se divertindo muito ao lembrar da situação “Meus filhos me ajudavam também, os maiorzinhos, eu dizia, Coloca aí a trocha na cabeça vamos trabalhar, e íamos andando até em casa, foi luta e dificuldade que passamos mas venci”.

Deni deixa muito claro a sua satisfação com o Governador Roberto Santos, tanto pela construção do hospital da região, quanto pela criação dos colégios estaduais, ela explicou que os filhos dela enfrentava uma dificuldade na locomoção para o bairro da Cidade Nova para poder estudar, e depois da construção dos colégios seus filhos mais novos poderiam estudar perto de casa, e foi anulado o custo com transporte. Transporte esse que ainda era o Bonde, “Demorava muito de passar, meu marido tinha uma bicicleta, ele ia e voltava para o trabalho lá na Sete Portas pedalando, e vinha na hora do almoço, ele não levava marmita não, era uma correria, meus meninos para levar para escola, porque uns estudavam a tarde e outros pela manhã, mas quando ele chegava para almoçar, se possível a comida já tinha que esta no prato, ele comia correndo coitado, e voltava para trabalhar na bicicleta”.

D. Deni finaliza nossa conversa dizendo: “Sou satisfeita em morar aqui, e pretendo continuar, o Cabula Mudou, é maravilhoso aqui!”.

 

 

Por: Késsia Santiago

 

 

 

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