Turismo de Base Comunitária
no Cabula e Entorno

     Maria Dionísia Martins dos Reis, mais conhecida como Dona Maria, tem 87 anos e afirma que tem “mais nome do que gente”. Mesmo com a idade avançada ainda é muito ativa, é comum vê-la passeando pela Fazenda Grande do Retiro, na região do Cabula, bairro periférico de Salvador – Bahia. Ela confessa que quando foi morar no bairro era tudo muito diferente “quando eu vim morar na Fazenda Grande não tinha carro, não tinha água, não tinha luz, não tinha ônibus, não passava carro aqui, tudo aqui era lama. Quando eu vim morar aqui a casa era de “supapo”. Era chão, não tinha negocio de piso, e era por aqui tudo, as veteranas da época também moravam assim”.

D. Maria compartilha um pouco de sua história conosco. Como muita jovem da época veio para Salvador ainda muito jovem para ter uma vida melhor na capital e foi trabalhar como empregada domestica. “Sou de São Bento de Inhatá, eu vim menina, acabei de me fazer aqui na casa das branca trabalhando”, “ah, minha fia fui criada no cabo da inchada, aprendendo a plantar cana, mandioca, andu, fava, mangalô, feijão de corda, melancia, abobora”. E de acordo com que a história da D. Maria é contada também é revelada a história do bairro da Fazenda Grande do Retiro. O bairro foi crescendo aos poucos, de acordo com que as pessoas foram chegando o lugar foi desenvolvendo e deixando o aspecto rural e absorvendo o aspecto urbano. “Não lembro, mas a aqui não tinha nada, depois q foi chegando o posto, colégio, gente pra estudar, o Dois de julho foi o primeiro de todos, depois foi o colégio Bento Gonçalves, meus meninos estudou com “o veio” porque não tinha escola pra estudar, ele sabia ler e ensinava meus filhos”.

     

Imagem: Adriele Conceição

      “A gente saia daqui e ia pegar ônibus lá em cima no fim de linha e ele largava no São Caetano, quem quisesse pegar ônibus era assim. Tinha um senhor que tinha uma frota de ônibus, pegava aqui e saltava no São Caetano e lá cada qual que pegava o seu destino”, eu saia daqui e ia lavar roupa no Bonfim, nos Mares e no Iapi, tudo andando porque ainda não tinha ônibus aqui pra pegar”, relata D. Maria sobre os problemas no transporte público na região na época. 

     O bairro foi crescendo aos poucos, de acordo com que as pessoas foram chegando o lugar foi desenvolvendo e deixando o aspecto rural e absorvendo o aspecto urbano. “Não lembro, mas a aqui não tinha nada, depois q foi chegando o posto, colégio, gente pra estudar, o Dois de julho foi o primeiro de todos, depois foi o colégio Bento Gonçalves, meus meninos estudou com “o veio” porque não tinha escola pra estudar, ele sabia ler e ensinava meus filhos”.

      D. Maria relata a dificuldade na época, coisas que hoje são consideradas básicas na região, “não tinha o SESI, tinha o modulo de prender gente aí no Retiro, aí desmancharam e fizeram o colégio. A gente comprava pelanca lá, onde era o SESI a gente ia pegar água lá, enchia três tonel... Tinha um minador que pegavam água quando chegava da pedreira”. “Não tinha casa quase nenhuma, só tinha lama, esse lado aí era invasão (fazendo referência ao lado esquerdo do bairro sentido São Caetano), o lado de cá foi comprado (fazendo referência ao lado direito da fazenda Grande). Tinha essa invasão aí embaixo e daqui a pouco a policia vinha e derrubava com tudo”.

     Finalizando a nossa entrevista eu pergunto do que ela sente mais falta do bairro antigamente e ela não hesita em afirmar que é o problema da segurança pública. Perguntei também se mesmo com os problemas do bairro ela gosta da Fazenda Grande e com animação respondeu “gosto muito da Fazenda Grande!”

 

 

Por: Adriele Conceição

 

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