Turismo de Base Comunitária
no Cabula e Entorno

Numa noite sem estrelas
A situação era peor,
A escuridão predominava,
Não dava pra fazer forró,
Clareava a nossa casa
Com candeeiro ou fifó 

(Antônio Aderbal de Souza Gomes)

Luciana Martins
Carlos Augusto Fiúza

Nas pesquisas e entrevistas realizadas com moradores antigos das comunidades que compuseram o antigo quilombo do Cabula, cujo objetivo foi compreender o espaço e as práticas de vivência dos primeiros ocupantes, ficou constatado, de acordo com a memória, que a manifestação cultural mais representativa, colaborativa e agregadora foi o São João do Cabula. 

Festejo simples, que se adequava a realidade ruralizada da localidade nas décadas de 1960/70 e mesmo antes desse período, em que a urbanização ainda não havia adentrado efetivamente nas comunidades. Vivia-se em meio a roças, sem energia elétrica, sem água encanada, nem esgotamento sanitário. O cenário era composto por matas densas, fontes, riachos, poucas casas de taipa baixas, esparsas e com cercas vivas da planta “nativo”. No âmbito dessa realidade de contato inerente com a natureza, as festas de São João ofereciam a oportunidade de integração dos moradores, que transitavam de uma comunidade para outra fazendo batuques de sambas e bailes de caipiras, ao som das violas, pandeiros e até de pratos ralados. 

Nos terreiros de candomblés local, a festa era ampliada ao homenagear Xangô, nesse momento, uniam-se os festejos. D. Itana Maria Ribeiro das Neves (2016), makota (“cuidadora do orixá – mãe que zela pelos orixás quando está no barracão”) do terreiro de nação Angola, “Nzó Bakysê Sasaganzuá Gongará Kayango”, que passou a habitar no Cabula no ano de 1963, aos 08 anos de idade, complementa a ideia informando que: “Todo mundo fazia fogueira, todo mundo embandeirava, fazia aquelas correntes para enfeitar. Na rua não passava nada, mas se enfeitava até a rua, ficava parecendo um arraial”. 

As damas, em alguns casos, vestiam-se iguais. Saia-se de casa em casa convocando pessoas para animar a festa, que durava até o raiar do sol. Nos arraiais, como Engomadeira, era comum fazer fogueiras e ficar no seu entorno batendo papo e contando histórias. Nesse momento junino, não haviam divisões entre as localidades, o Cabula era um em animação.