Turismo de Base Comunitária
no Cabula e Entorno

Para iniciar esse bate papo aqui no nosso “Lugar de Cultura”, vamos

apresentar Pernambués que é o “meu” lugar. Um bairro com muitas

peculiaridades, a começar pelo nome que significa tanque de águas em Tupy,

o leitor pode se perguntar mas onde estão as águas do bairro? Segundo os

moradores mais antigos, no bairro havia várias fontes de águas e era cercado

por alguns rios, como o Rio Saboeiro. Fato é que até hoje é possível encontrar

algumas nascentes que por décadas alimentaram as hortas, a exemplo da

horta de “dezoito” na rua Botuporã, mais conhecida como rua do Hildete ou do

Pereira. Só de pensar naquela alface verdinha , no cheirinho do “tempero

verde” dá agua na boca e saudade da água da fonte, fonte de toda aquela

fartura. Vale dizer que este é um bairro assumidamente diversificado, aqui vc

encontra negros e indígenas, evangélicos e candomblecistas, caminhando lado

a lado, e de quando em vez, tudo junto e misturado, do jeito que a gente gosta.

Aqui a gente tem história de Terno de Reis, de Castelo, de árvore com caverna,

de “bar do índio”. Sabe o bafo de bode da novela Tieta do agreste? Pois aqui

na rua tinha um, o nosso querido Barbosa. Só andava “chei de mé”. Tinha até a

“Luiza Erundina” (e ai de quem a chamasse assim, chovia bengalada) quem já

foi criança lembra! Um bairro que resiste em contar a sua história, que não a

deixa morrer ou secar como a erva. Através de seus antigos vai contando e

ressignificando a sua narrativa o seu “contar” o seu “historiar”, sim a gente

adora contar história. Mas também, Pernambués tem cada uma!! Tinha até um

castelo! Esse castelo tinha de um tudo! Fadas, Sacis, curupiras, boitatá, mula

sem cabeça! Ai que MEDOOO!! E me contaram que tinha também, vampiros e

lobisomens e muitos outros monstros. Curiosamente todas as crianças queriam

entrar lá, e ainda diziam que quando crescessem iriam comprá-lo. Isso porque

o medo se dissipava com a visão dos guardiões do castelo que se disfarçavam

de cachorros e sempre conversavam com as crianças. Falavam em uma língua

que só as crianças entendiam. bastava chegar uma no portão, e lá vinham

eles. É que as antenas disfarçadas de orelhas captavam a energia da

imaginação delas. Lá também tinha as árvores que enxergavam através das

folhas mesmo que se estivesse muito longe delas, era um tal de andar olhando

para trás até chegar em casa e não largavam a mão da mãe por nada nessa

vida. Para tristeza das crianças esse castelo está sendo demolido, para isso

separaram os guardiães já que a força deles estava na união, em seguida

cortaram as árvores que era a morada dos passarinhos e dos micos. Esses

bichos eram responsáveis por toda a magia do castelo, por isso convocaram

todos os protetores da história do bairro para que usem a força mágica do

sonhar, amar, criar, cuidar, para tentar impedir  a demolição. Infelizmente não deu certo,

contundo, uma incrível energia positiva envolveu todo o castelo que agradeceu a luta de todos para o manter de pé!

 

Por: Joanice Marques